sábado, 18 de abril de 2015

Santa Iria

San Sebastián atendido por Santa Irene e sua criada, Dirck Jaspersz. van Baburen (não romântico). A milagrosa “Santa Iria — Santa Irene — que deu o seu nome a Santarém, donzela nobre, natural da antiga Nabância, e freira no convento duplex beneditino que pastoreava o santo abade Célio, floresceu pelos meados do sétimo século.”

Byron, Schiller, Camões e Tasso morreram jovens, do coração. Não realmente de uma parada cardíaca ou outro problema do tipo, mas pelo excesso de sentimentos, por viver intensamente. Homero e Goethe, Sófocles e Voltaire morreram velhos, a imaginação, em detrimento ao sentimentalismo, não mata, imaginar é apenas sonhar.

Devo dizer aqui, a você, leitor do meu blog, que espero não tê-lo decepcionado. Certamente saberá da minha viagem, mas não sei escrever de outra forma se não intercalando-a com minhas digressões.

Tantos foram os assuntos de meu almoço que devo contar-lhe um em especial, Santa Iria, a quem se homenageou na cidade de Santarém. Não se sabe se são duas santas ou duas histórias, talvez a narração popular tenha a modificado um pouco.

A trova popular conta o seguinte: Um cavalheiro teria pedido abrigo na casa de Iria que insistiu muito ao pai conseguindo abrigá-lo. Depois de cuidar dele muito bem percebe que está sendo raptada depois de muito ele acaba matando ela. Cresce uma ermida no lugar em que ela fora enterrada e o cavaleiro passando por lá muito tempo depois pede perdão para a Santa, ela acaba não aceitando.

Já os cronistas e o romance popular dizem que: Santa Iria teria sido uma nobre freira no convento duplex benedito. Britaldo, também nobre teria se apaixonado por ela que contudo resistiu e isso fez ele adoecer. A Santa foi consolá-lo e isso fez com que ele se curasse. Contudo o monge Remígio se apaixonou por Iria também mas, com raiva da recusa, fez uma poção que fazia a mulher parecer grávida. Ao ouvir que a mulher carregava um bebê Britaldo mandou que Banam a matasse e a jogasse no rio Nabão. O corpo teria aparecido nas margens do rio Tejo em Santarém mas esse estava em um sepulcro debaixo d’água que se abriu apenas para revelar o corpo intacto da santa que não podia ser retirada de lá. Se abriu novamente para a rainha Santa Isabel e o Rei mandou construir um monumento no local.

#nacionalismo #imaginação

Alto de Santarém

“...os olivais de Santarém lá estão ainda. Reconheceu-os o meu coração e alegrou-se de os ver; saudei neles o símbolo patriarcal da nossa antiga existência. Naqueles troncos velhos e coroados de verdura, figurouse-me ver, como nas selvas encantadas do Tasso, as venerandas imagens de nossos passados; e no murmúrio das folhas, que o vento agitava a espaços o triste suspirar de seus lamentos pela vergonhosa degeneração dos netos...”

Chegamos ao início da calçada que leva ao Alto de Santarém. Observando era possível perceber que se trata de uma cidadezinha decaída e desamparada, o mais belo são seus olivais, neles ainda está vivo o antigo símbolo patriarcal de Portugal.

Subindo a ladeira com as mulinhas vimos diversos monumentos e ruínas. No topo: a entrada da Vila! Tão bela a cena. Podemos associar a Vila a um poema romântico: irregular, largo e caprichoso. Um grande silêncio na praça ladeada por palácios, conventos e igrejas. É a cidade de um povo morto que desapareceu e deixou só seus monumentos.

Creio que todas as construções existentes mostram o pensamento de seu século e suas intenções.

“ Fora-de-Vila é um vasto largo, irregular e caprichoso como um poema romântico”

Praça de Santarém

O que pode ser visto em Santarém:
* Convento do Sitio ou de Jesus
* Convento das Donas
* Convento de S. Domingos, jazigo de S. Frei Gil
* Mosteiro das claras
* Baixas arcadas góticas de S. Francisco, cujo último guardião foi Frei Dinis
* Edifício filipino
* O Colégio
* Palácio dos condes de Unhão
* Igreja de S. João de Alporão
* Igreja de Santa Maria de Alcáçova.


Vou agora ao pé dessa última igreja citada jantar junto a um amigo.

“Não há ruas, não há caminhos, é um labirinto de ruínas feias e torpes. O nosso destino, a casa do nosso amigo é ao pé mesmo da famosa e histórica igreja de Santa Maria de Alcáçova. Há de custar a achar em tanta confusão.”



Os monumentos em Portugal se encontram em péssimas condições. Depois do Grande Terremoto iniciou-se uma ausência de estilo das construções. Os reparos ainda tornaram certos estilos, estilo algum. Podemos agradecer ao Marques de Portugal boa parte dessa situação.

No antigo palácio de D. Afonso Henriques encontro meu grande amigo chefe do partido progressista que merece diversos elogios. Conversamos sobre as antigas grandezas de Santarém e a atual catástrofe que ela vive.

“O palácio de Afonso Henriques está como a sua capela: nem o mais leve, nem o mais apagado vestígio da antiga origem. Sabe-se que é ali pela bem confrontada e inquestionável topografia dos lugares, por mais nada...”


Devo dizer que ao acordar vi a linda imagem do Tejo, ao longe olivedos e a vila de D Manuel e suas charnecas e vinhas. Me deparei ainda, ao pé do monte que estou com a cruz de Santa Iria. Nesse momento pude viajar pela minha imaginação e tive uma sensação de saudade mas não de esperança.

#saudades #insatisfação #nacionalismo #digressões #sentimentalismo #santarém #monumentos

Leitura local

Tje Dort Packet Boat from Rotterdam Bacalmed, Willian Turner.
“...pobre nau Vasco da Gama que aí está em monumentocaricatura da nossa glória naval... E eu não vi nada disso, vi o Tejo, vi a bandeira portuguesa flutuando com a brisa da manhã, a torre de Belém ao longe... e sonhei, sonhei que era português, que Portugal era outra vez Portugal.”

Quando estou em um lugar gosto muito de ler os autores que lá escreveram. Creio ser essa a única forma de entender a história. Em Roma gostaria de ler Horácio, Tito Lívio, Tácio e Juvenal. Em Portugal Duarte Nunes, grande historiador português que destruiu a parte da poesia e deixou só história. A que menos estragou foi a Crônica de D. Fernandes.

Na Inglaterra li Shakespeare. Sr. John Falstaff, um de seus personagens, seria mais materialista que Sancho Pança, com certeza.

Outro dia abri “Os Lusíadas”, de Camões e coloquei-me a lê-lo: que emoção me deu, vi além da narrativa a bandeira de Portugal. Sonhei que era português e que Portugal era Portugal novamente.
Mas o que tudo isso tem a ver com a história? É que a história lida ou contada no lugar em que se passou tem muito mais graça e força. Dessa forma vou a Santarém continuar a história da menina dos rouxinóis.

#autoresfamosos #materialismo #nacionalismo #ambiente&estadodeespírito #digressão #individualismo

O amor

“Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices”. Que animal mais absurdo é o homem! Não aquele feito por Deus – o Adão natural –, e sim aquele contrafeito pela sociedade, forçado em seus moldes de ferro – o Adão social. Poucos homens sofrem mais nos apertos da sociedade em detrimento da santa liberdade da natureza que Carlos.

Carlos, em seus primeiros impulsos, era bom e verdadeiro; mas a reflexão o fazia fraco e vulgar. Dúvida, incerteza, vaidade e mentira corrompiam sua alma. Perturbado por tais pensamentos, Carlos foi ao encontro de Joaninha. Na conversa que se inicia, ela revela sua aversão por Frei Dinis. Carlos teme que sua prima, tão inocente e criança, conheça os segredos da família. Porém, Joaninha os desconhecia, dizendo-se ressentida pelas acusações que o frade fez contra o primo para a avó, cegando-a com suas lágrimas.

Falando na avó, Joaninha diz ter combinado com o comandante dos realistas uma visita segura. Carlos sente-se enciumado, e franze sua testa como Frei Dinis.

The Sonnet, Willian Mulready “...palavra amo-te, Joaninha a pronunciara tão naturalmente, tão sincera, tão sem dificuldades nem hesitações, como se aquele fosse — e era decerto — como se aquele tivesse sido sempre o pensamento único, a idéia constante e habitual de sua vida.”

Carlos disse a Joaninha que ela não poderia dizer para ninguém que ele estava lá. Ela ficou intrigada e pergunta o motivo do temor, ele não disse que é por causa do Frei Diniz mas mentiu que seria medo das ordens de seus superiores.

Joaninha disse que amava Carlos ele não falou as mesmas palavras, esperava ouvir aquilo mas não se achava merecedor. Ela disse que sabia do sentimento desde que ele partira e que ambos tinham o apoio da avó, ele continuou sem resposta.

Por fim a menina dos olhos verdes acusou-o de amar outra mulher e de não amá-la, sua prima, ele disse que a amava mas não negou o fato de ter outra mulher. Joaninha disse para ele falar com ela outro dia, ele falou que não seria capaz de enganá-la. Deram um beijo frio.

#história #carlosejoaninha #amor #sentimentalismo

As mulheres

No dia seguinte, um soldado entregou a Carlos uma carta de Joaninha: ela não havia dito nada sobre o encontro da véspera, mas que tinha notícias por meio de soldados, para acalmar a pobre velha doente e preocupada. Ela também propõe um reencontro e diz ter tomado as precauções com o comandante do posto contrário para garantir uma visita em segurança.

Carlos pôs-se a refletir sobre como a criança que havia deixado, cuja saudade apertara na flagela da guerra, tornara-se uma mulher feita e perfeita, sem, entretanto, perder a graça e a inocência infantil. Seria amor? Mas ele tinha amado, e pretendia amar ainda, e devia amar... Carlos entregara seu coração a uma mulher que o amava sem precedentes, prendada, educada, bela, nobre... Chamava-se Georgina.


Miranda (detalhe), John William Waterhouse.
“Pois é verdade; Carlos tinha amado, amado muito, e amava ainda a mulher a quem prometera, a quem estava resolvido a guardar fé. E essa mulher era bela, nobre, rica, admirada, ocupava uma alta posição no mundo... e tudo lhe sacrificara e ele exilado, desconhecido.”

Mas aqueles beijos, aqueles abraços que trocara com Joaninha... Estava seguro de seu amor prometido à Georgina, mas a imagem da menina dos rouxinóis aparecia de vez em quando como um raio de luz mágica, entre visões do passado. Decidiu, enfim, ir se encontrar com Joaninha a tarde.

Enquanto esperava o dia passar, Carlos refletia sobre sua casa. O que haveria cegado a pobre velhinha, como Joaninha havia lhe informado sem elucidar o mistério? Mistério... Ergueu-se a imagem escurecida de Frei Dinis, que fizera Carlos abandonar a casa por causa de suas acusações. Acusações estas que a velha também compreendia, mas que não alteravam o amor entre neto e avó.

Two Old Women Eating from a Bowl, Francisco De Goya y Lucientes.

Teria Joaninha conhecimento sobre tais segredos? Haveria de lhe explicar o porquê fugira da casa? Decidiu que não, e passou a desgostar da ideia de retornar àquela casa. Mas o que diria à Joaninha? “Veremos!”, foi a resolução que tomou, enfim.

Seus pensamentos sobre Joaninha e seus olhos verdes renderam-lhe diversas aspirações poéticas. Que glória para a escola romântica se tivéssemos seus registros completos! Faltaria um prefácio incisivo, palpitante, com um título ainda mais fosforescente...!

O encontro

Joaninha dormia, e a natureza ao seu redor refletia sua graciosidade: um rouxinol cantava suaves melodias, que se tornaram agudas e profundas na medida em que certo oficial se aproximava da donzela.

Estão certas as leitoras em exigirem um retrato do oficial: ele era jovem, de corpo delgado e feições de homem feito, com um largo sobretudo militar... Ah! Uniforme tão militar, tão nacional, tão caro à memória de nosso país, que essas gentes aboliram do exército...!

As amáveis leitoras que me perdoem por interromper o retrato com tal reflexão; mas, como os pintores da Idade Média, que escreviam sentenças em seus painéis por não saberem dar expressão aos gestos, talvez pelo mesmo motivo caio eu no defeito.

Voltemos ao retrato. Os olhos do oficial possuíam uma luz intensa. Sua fisionomia podia-se dizer dura quando calado, mas o menor sorriso a transformava. Assim, transparecendo uma inquieta expressão de interesse, o oficial aproximou-se de Joaninha, e a reconheceu.

Joaninha acordou, e reconheceu logo de cara o oficial: era Carlos. Os dois se entregaram a longos e demorados beijos e abraços. Joaninha ficou exasperada, e disse ter muito a lhe contar e que ele deve ver a avó, que sofre de saudades.

Begegnung im Walde, A Woodland Meeting, Carl Spitzweg. “...se ouvia o doce murmúrio da voz de Joaninha, claramente si via o vulto da sua figura e da do companheiro que ela levava pela mão e que maquinalmente a seguia como sem vontade própria, obedecendo ao poder de um magnetismo superior e irresistível”

Joaninha o conduziu pelos campos, como que por uma força magnética superior e irresistível. Porém, o casal logo acordou sobressaltado de seu sonho sobre o Éden de sua infância, pois a voz estridente de uma das sentinelas bradou “quem vem lá?”. Oh! Que imagem eram esses dois, cujos sentimentos mais santos e verdadeiros da natureza foram sacrificados no meio da barbaridade, do conflito de falsos princípios nos quais se apoia a sociedade!

O casal viu-se obrigado a se separar; combinariam de se encontrar no dia seguinte, mas Joaninha não deveria dizer nada ainda sobre Carlos à avó. A menina dos rouxinóis levantou a voz e foi reconhecida. Já Carlos levou um tiro no braço dos próprios soldados, e logo se recolheu. Os soldados não tardaram a ironizar a situação de Carlos com a prima.

Notícias de Lisboa

Em tempos de guerra, percorrem pelo país notícias e rumores sobre agressões, comoções, vinganças e outros combates. Aqueles oito dias no vale foram repletos de ansiedade e aflição. Na sexta feira, cada hora parecia mais longa que a anterior; o dia já terminava, e Frei Dinis ainda não aparecera.

Maja y celestina al balcón, Francisco De Goya y Lucientes
“Frade, tu mentes; mentes sem saberes que mentes: és sincero na tua fé, na tua austeridade, na tua abnegação: mas o teu sacrifício é como o de Abraão na montanha, e Deus sabe que tu não tens força para o cumprir.”

Plantadas na porta da casa, Joaninha, com os olhos atentos, e a velha, com os ouvidos aguçados, aguardavam ansiosamente o frade quando este apareceu, vindo de Lisboa. Tal notícia abalou as emoções das mulheres: não tardaram a suplicar notícias ao frade. Frei Dinis deu de ombros, demonstrando indiferença. “E que me importa a mim o que aconteceu ou podia acontecer a mais um de tantos perdidos?”, ele disse, secamente.

O frade mentia, entretanto. Utilizava-se desses tons de desprezo para disfarçar a imensa dor de sua alma. O disfarce não foi reconhecido, e causou grande comoção na pobre velha, que implorou por notícias em nome da falecida filha. Tal súplica exaltou a raiva do frei, que a culpou por conjurar o demônio que traz encarcerado no seio. Enfim, cedeu: contou que Carlos estava vivo e possuía uma carta dele para Joaninha.

Verdächtiger Rauch, Carl Spitzweg.
“Tudo isto porém era com a prima; para a desconsolada avó, para ninguém mais... nem uma palavra.”

A pedidos da velha, Joaninha, encabulada, leu em voz alta a carta, que se destinava somente a ela. Por isso, nela estava expresso o amor fraterno entre os primos, saudades do passado, poucas esperanças no futuro... e nenhuma palavra para a avó ou mais ninguém. Joaninha, então, tentou improvisar uma bênção à avó, mas esta percebeu o improviso. Frei Dinis se retirou. Ao longe, ouviram-se soluços sufocados... Seriam dele?

Na outra semana, Joaninha deu ao frade a resposta da carta. Porém, meses se passaram sem nenhuma outra carta de Carlos. A guerra civil progredia: Lisboa estava sob o poder dos constitucionais. Ao fim do verão, o exército realista cercava Lisboa, e as linhas da cidade estavam fechadas e guarnecidas. De lá veio Frei Dinis numa sexta-feira.

A velha pediu-lhe notícias, as quais o frade não pode dar. Angustiada, a velha pediu a Deus proteção para Carlos. Frei Dinis então passa a criticar a ambição e cobiça de um lado e a imoralidade e a perdição de outro, e especialmente a posição de Carlos, que se juntou aos destruidores dos altares e dos templos de Deus. Horrorizada pelas palavras do frade, a velha transpareceu seu desejo de contar ao neto “toda a verdade”.

St. Anna's church in Krupka, Adrian Ludwig Richter
“Frei Dinis cedeu: a mesma vaga e indeterminada esperança que animava a velha, e que a prendia tão fortemente ali, não era estranha ao coração do frade. Ela não ousava nem aludir de longe a essa esperança, mas sentia-se que lá a tinha aninhada e escondida a um canto d’alma... Aquele neto, aquele filho da filha querida havia de vir ter à Casa em que nascera... por ali havia de passar, e mais dia menos dia...”

A guerra chegara ao vale de Santarém. Joaninha comunicou à velha e ao frade sobre tropas que se aproximavam. Este último tentou convencer as duas mulheres a deixarem a casa, mas a velha estava decidida a ficar e defendeu com toda vontade e coração a casa e o afeto que guarda por ela.
The Quicklime Works, Theodore Gericault
Horse Frightened by a Storm, Eugene Delacroix.
Eram os derradeiros dias do outono, a natureza parecia tomar dó pelo homem — dar triste e lúgubre de cena ao sangrento drama de destruição e de miséria que ali se ia concluir.

A natureza refletiu o terror inicial da guerra: as folhas caíram, tempestades se formaram, o mato crescia selvagem, o gado e os pastores fugiram. Joaninha e a velha logo ganharam o respeito dos militares e dos comandantes, garantido segurança para si. Pouco a pouco, a guerra foi se tornando habitual, familiar. “A tudo se habitua o homem... Não há vida, por mais estranha, que o tempo e a repetição dos atos lhe não faça natural”. Porém, ainda não havia nenhum sinal de Carlos... Pobre velha!
Landscape with rainbow, Caspar David Friedrich.
“A guerra parecia cansada, o furor dos combatentes quebrado; rumores de intentadas transações giravam por toda a parte.”

Logo a primavera foi chegando, e a guerra tornava-se cansada. Soldados opostos passaram a ver-se sem ódio, até a conversar amigavelmente. Joaninha habituara-se à situação, amparando os feridos e consolando a todos. Já muito estimada e respeitada pelos soldados, estes se referiam a ela por “menina dos rouxinóis”, por passar horas à sua janela escutando os pássaros.

A menina dos rouxinóis ganhara o costume de passear por entre as árvores. Certo dia, os constitucionalistas avistaram um vulto e se aproximaram: era Joaninha, adormecida entre o grupo de árvores.
Ophelia, John William Waterhouse.
"E dali lhe puseram o nome de “menina dos rouxinóis”, pelo qual era conhecida em ambos os campos; significante e poético apelido com que a saudavam os soldados de ambas as bandeiras."