No dia seguinte, um soldado entregou a Carlos uma carta de Joaninha: ela não havia dito nada sobre o encontro da véspera, mas que tinha notícias por meio de soldados, para acalmar a pobre velha doente e preocupada. Ela também propõe um reencontro e diz ter tomado as precauções com o comandante do posto contrário para garantir uma visita em segurança.
Carlos pôs-se a refletir sobre como a criança que havia deixado, cuja saudade apertara na flagela da guerra, tornara-se uma mulher feita e perfeita, sem, entretanto, perder a graça e a inocência infantil. Seria amor? Mas ele tinha amado, e pretendia amar ainda, e devia amar... Carlos entregara seu coração a uma mulher que o amava sem precedentes, prendada, educada, bela, nobre... Chamava-se Georgina.
Mas aqueles beijos, aqueles abraços que trocara com Joaninha... Estava seguro de seu amor prometido à Georgina, mas a imagem da menina dos rouxinóis aparecia de vez em quando como um raio de luz mágica, entre visões do passado. Decidiu, enfim, ir se encontrar com Joaninha a tarde.
Enquanto esperava o dia passar, Carlos refletia sobre sua casa. O que haveria cegado a pobre velhinha, como Joaninha havia lhe informado sem elucidar o mistério? Mistério... Ergueu-se a imagem escurecida de Frei Dinis, que fizera Carlos abandonar a casa por causa de suas acusações. Acusações estas que a velha também compreendia, mas que não alteravam o amor entre neto e avó.
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| Two Old Women Eating from a Bowl, Francisco De Goya y Lucientes. |
Teria Joaninha conhecimento sobre tais segredos? Haveria de lhe explicar o porquê fugira da casa? Decidiu que não, e passou a desgostar da ideia de retornar àquela casa. Mas o que diria à Joaninha? “Veremos!”, foi a resolução que tomou, enfim.
Seus pensamentos sobre Joaninha e seus olhos verdes renderam-lhe diversas aspirações poéticas. Que glória para a escola romântica se tivéssemos seus registros completos! Faltaria um prefácio incisivo, palpitante, com um título ainda mais fosforescente...!


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