sábado, 18 de abril de 2015

Alto de Santarém

“...os olivais de Santarém lá estão ainda. Reconheceu-os o meu coração e alegrou-se de os ver; saudei neles o símbolo patriarcal da nossa antiga existência. Naqueles troncos velhos e coroados de verdura, figurouse-me ver, como nas selvas encantadas do Tasso, as venerandas imagens de nossos passados; e no murmúrio das folhas, que o vento agitava a espaços o triste suspirar de seus lamentos pela vergonhosa degeneração dos netos...”

Chegamos ao início da calçada que leva ao Alto de Santarém. Observando era possível perceber que se trata de uma cidadezinha decaída e desamparada, o mais belo são seus olivais, neles ainda está vivo o antigo símbolo patriarcal de Portugal.

Subindo a ladeira com as mulinhas vimos diversos monumentos e ruínas. No topo: a entrada da Vila! Tão bela a cena. Podemos associar a Vila a um poema romântico: irregular, largo e caprichoso. Um grande silêncio na praça ladeada por palácios, conventos e igrejas. É a cidade de um povo morto que desapareceu e deixou só seus monumentos.

Creio que todas as construções existentes mostram o pensamento de seu século e suas intenções.

“ Fora-de-Vila é um vasto largo, irregular e caprichoso como um poema romântico”

Praça de Santarém

O que pode ser visto em Santarém:
* Convento do Sitio ou de Jesus
* Convento das Donas
* Convento de S. Domingos, jazigo de S. Frei Gil
* Mosteiro das claras
* Baixas arcadas góticas de S. Francisco, cujo último guardião foi Frei Dinis
* Edifício filipino
* O Colégio
* Palácio dos condes de Unhão
* Igreja de S. João de Alporão
* Igreja de Santa Maria de Alcáçova.


Vou agora ao pé dessa última igreja citada jantar junto a um amigo.

“Não há ruas, não há caminhos, é um labirinto de ruínas feias e torpes. O nosso destino, a casa do nosso amigo é ao pé mesmo da famosa e histórica igreja de Santa Maria de Alcáçova. Há de custar a achar em tanta confusão.”



Os monumentos em Portugal se encontram em péssimas condições. Depois do Grande Terremoto iniciou-se uma ausência de estilo das construções. Os reparos ainda tornaram certos estilos, estilo algum. Podemos agradecer ao Marques de Portugal boa parte dessa situação.

No antigo palácio de D. Afonso Henriques encontro meu grande amigo chefe do partido progressista que merece diversos elogios. Conversamos sobre as antigas grandezas de Santarém e a atual catástrofe que ela vive.

“O palácio de Afonso Henriques está como a sua capela: nem o mais leve, nem o mais apagado vestígio da antiga origem. Sabe-se que é ali pela bem confrontada e inquestionável topografia dos lugares, por mais nada...”


Devo dizer que ao acordar vi a linda imagem do Tejo, ao longe olivedos e a vila de D Manuel e suas charnecas e vinhas. Me deparei ainda, ao pé do monte que estou com a cruz de Santa Iria. Nesse momento pude viajar pela minha imaginação e tive uma sensação de saudade mas não de esperança.

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