Joaninha dormia, e a natureza ao seu redor refletia sua graciosidade: um rouxinol cantava suaves melodias, que se tornaram agudas e profundas na medida em que certo oficial se aproximava da donzela.
Estão certas as leitoras em exigirem um retrato do oficial: ele era jovem, de corpo delgado e feições de homem feito, com um largo sobretudo militar... Ah! Uniforme tão militar, tão nacional, tão caro à memória de nosso país, que essas gentes aboliram do exército...!
As amáveis leitoras que me perdoem por interromper o retrato com tal reflexão; mas, como os pintores da Idade Média, que escreviam sentenças em seus painéis por não saberem dar expressão aos gestos, talvez pelo mesmo motivo caio eu no defeito.
Voltemos ao retrato. Os olhos do oficial possuíam uma luz intensa. Sua fisionomia podia-se dizer dura quando calado, mas o menor sorriso a transformava. Assim, transparecendo uma inquieta expressão de interesse, o oficial aproximou-se de Joaninha, e a reconheceu.
Joaninha acordou, e reconheceu logo de cara o oficial: era Carlos. Os dois se entregaram a longos e demorados beijos e abraços. Joaninha ficou exasperada, e disse ter muito a lhe contar e que ele deve ver a avó, que sofre de saudades.
Joaninha o conduziu pelos campos, como que por uma força magnética superior e irresistível. Porém, o casal logo acordou sobressaltado de seu sonho sobre o Éden de sua infância, pois a voz estridente de uma das sentinelas bradou “quem vem lá?”. Oh! Que imagem eram esses dois, cujos sentimentos mais santos e verdadeiros da natureza foram sacrificados no meio da barbaridade, do conflito de falsos princípios nos quais se apoia a sociedade!
O casal viu-se obrigado a se separar; combinariam de se encontrar no dia seguinte, mas Joaninha não deveria dizer nada ainda sobre Carlos à avó. A menina dos rouxinóis levantou a voz e foi reconhecida. Já Carlos levou um tiro no braço dos próprios soldados, e logo se recolheu. Os soldados não tardaram a ironizar a situação de Carlos com a prima.

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