Enquanto fazia o meu trajeto pela precária estrada, imaginei como era possível que os governantes à deixassem naquele estado e lembrei do que costumava dizer um amigo meu.
Dizia um secretário de Estado, meu amigo, que, para se repartir com igualdade o melhoramento de ruas por toda a Lisboa, deviam ser obrigados os ministros a mudar de rua e bairro todos os três meses. Quando se fizer a lei de responsabilidade ministerial, para as calendas gregas, eu hei de propor que cada ministro seja obrigado a viajar por este seu reino de Portugal ao menos uma vez cada ano, como a desobriga.
Finalmente cheguei a Azambuja, o primeiro lugar desde que comecei esta viagem onde pelo menos sinal de vida tem, porém o fato de ter habitantes nessa vila não significa que sua estalagem seja muito superior.
Aqui está o parágrafo onde eu supostamente deveria descrever a estalagem, porém se você leu a nota do autor notou que eu mencionei que isso não é o diário de bordo de uma viagem, aqui é o lugar onde exponho meus pensamentos, e sobre a estalagem não pude deixar de pensar em quanto materialista a sociedade atual é, e até que ponto isso se reflete nas desigualdades sociais.
E como eu que sou um admirador do estilo romântico, não consigo compreender como pode ser possível a sociedade que supostamente era pra espelhar literatura ser tão materialista contando que a literatura é espiritualista, o que me fez novamente refletir como a literatura é exageradamente hipócrita e previsível, mas não se enganem isso anão acontece apenas no estilo romântico, apenas cito ele por ser o estilo a qual eu pertenço.
Seguimos então para o pinhal de Azambuja
Modéstia ou inocência?
Qual a melhor qualidade? Para mim sem dúvida a modéstia, vejam bem, a inocência pode ser destruída por um acidente, um acaso, você nunca tem controle sobre ela em quanto a modéstia é o oposto, só pode ser destruída por você mesmo.
Mas por qual motivo trouxe esse assunto à tona?
Por dois pelo que me lembro, o primeiro é pelo simples motivo que já foi apresentado antes, penso, escrevo.
O segundo é por que ( alguns podem chamar de propaganda) eu como escritor admirei e ainda admiro inúmeros livros e filósofos na minha vida, mas Addison é o único com qual eu ando sempre com um exemplar no bolso, e ele não por coincidência defende a superioridade da modéstia a inocência.
Cadê o pinhal?
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| Essa sem dúvida foi a maior decepção da minha viagem até agora, onde está aquele temido pinhal de Azambuja? Aquele o qual é palco de histórias de terror desde que sou uma criança. |
Mas o mais frustrante disso tudo é como para um escritor esse tipo de acontecimento é ruim, me diga qual é graça de um pequeno terreno com mato ralo? Quem gostaria de ler uma coisas dessas?
Todos preferem o romance é tão óbvio, os conflitos, os personagens, pra que ler sobre mato? Poderia escrever um romance agora se eu quisesse, até você leitor, na realidade qualquer um poderia basta saber do que precisa.
Pronto! O romance foi feito, mas infelizmente ainda sou obrigado a encarar os poucos pinheiros e a grama rala que tem lá e a decepção continua...
Na volta para a estalagem o nosso transporte vem ao nosso encontro e é hora de seguir em frente em direção ao Cartaxo.
Divina comédia, Fausto e Os Lusíadas, grandes obras de grandes escritores, mas o que essas obras têm em comum?
É simples, toda grande obra que já foi feita foi guiada pela fé, a fé de Dante em Deus, de Goethe no ceticismo e de Camões na Pátria, mas e eu? A que fé eu sigo?
Camões, essa é a fé que eu sigo, desde criança quando me divertia com suas batalhas e sonhava em viver suas aventuras, até hoje em que o nacionalismo e a genialidade me fazem sentir o mesmo prazer na leitura que antes.Porém até Camões que é uns dos mais geniais escritores de todos os tempos teve sua dificuldade com a crítica por misturar mitologia e teologia. Mas como haveria de ser Camões um percursor de outro jeito?

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