O café de Cartaxo é um tanto quanto singular, mas não apenas o de lá, todos os cafés tem sua singularidade, assim como os lugares em que eles são feitos. Me de apenas o café que no primeiro gole saberei onde estou.
O "magnífico" café de Cartaxo não é muito maior do que o meu quarto, nos sentamos em duros banquinhos de madeira e fomos servidos numa mesa de pinho, o que para nós foi mais do que suficiente.
Saímos do café e fomos dar uma volta na cidade, que tem a população mais alegre de Portugal e o melhor vinho também, além de ser uma cidade histórica por ser palco de inúmeros conflitos portugueses.
Saímos de Cartaxo com uma bela paisagem a nossa frente, é tão bela e tão única que a sensação de passar pela charneca que cresce de Cartaxo a Santarém é quase inexplicável, sensação que foi interrompida quando meu companheiro de viagem chamou atenção para o fato ter sido naquele local a última revista do imperador, e as memórias tomam conta de mim substituindo aquela sensação de paz por tristeza.
E é com essa sensação de desânimo e tristeza que chego à ponte de Asseca.
Ênio Manuel de Figueiredo, imagino que a maioria ou todos vocês não façam a menor ideia de quem ele seja. Mas fiquem tranquilos vocês não são os únicos, nunca teve fama pelas suas peças de teatro que assim como o autor ninguém conhece.
Então porque mencionei ele aqui??
"Poetas em anos de prosa" eis o motivo. Muitas vezes a genialidade desse título se passa despercebida, enquanto tem livros que não precisam de título, este título não precisa de mais nada. Figueiredo teve a capacidade de contar em um título uma história inteira.
E este título me fez questionar sobre a literatura desse século.
A ponte de Asseca corta um rio imenso e... opa me desculpem pela interrupção mas a curiosidade de saber o motivo do nome Asseca está me matando, creio eu que é por causa de um famoso ditado português "Foi de seca a Meca" Mas não tenho tanta certeza, então caso algum leitor saiba seria de grande ajuda se me informasse nos comentário.
Voltando a descrição: e foi aqui que Junot guerreou contra português por essa região na Guerra Peninsular, um sujeito que lamento nunca ter conhecido.
Meus pensamentos param quando vejo o vale de Santarém e a beleza extraordinária do lugar.
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