sábado, 18 de abril de 2015

Cartaxo e Asseca

Acreditem, sou um homem que conhece os prazeres e desprazeres da vida, e a anos não me sentia tão vivo quanto quando eu cheguei ao café do Cartaxo, uma experiência melhor até do que fazer um passeio a Paris visitando os principais monumentos em um confortável meio de transporte, e é para momentos como esse que faço o que faço, e é para momentos como esse que todos deveriam viajar, para conhecer lugares singulares como cartaxo, portanto faço um apelo para os meus leitores, jamais percam a oportunidade de conhecer novos lugares.


O café de Cartaxo é um tanto quanto singular, mas não apenas o de lá, todos os cafés tem sua singularidade, assim como os lugares em que eles são feitos. Me de apenas o café que no primeiro gole saberei onde estou.


O "magnífico" café de Cartaxo não é muito maior do que o meu quarto, nos sentamos em duros banquinhos de madeira e fomos servidos numa mesa de pinho, o que para nós foi mais do que suficiente.

Saímos do café e fomos dar uma volta na cidade, que tem a população mais alegre de Portugal e o melhor vinho também, além de ser uma cidade histórica por ser palco de inúmeros conflitos portugueses.

"Há doze anos tornou o Cartaxo a figuras conspicuamente na história de Portugal. Aqui, nas longas e terríveis lutas da última guerra de sucessão, esteve muito tempo o quartel general do Marquês de Saldanha. Alguns ditirambos se fizeram; alguns ecos das antigas canções báquicas do tempo da guerra peninsular ainda acordaram ao som dos hinos constitucionais. Mas o sistema liberal, tirada a época das eleições, não é grande coisa para a indústria vinhateira,dizem. Eu não o creio, porém, e tenho minhas boas razões, que ficam para outra vez."


Saímos de Cartaxo com uma bela paisagem a nossa frente, é tão bela e tão única que a sensação de passar pela charneca que cresce de Cartaxo a Santarém é quase inexplicável, sensação que foi interrompida quando meu companheiro de viagem chamou atenção para o fato ter sido naquele local a última revista do imperador, e as memórias tomam conta de mim substituindo aquela sensação de paz por tristeza.

E é com essa sensação de desânimo e tristeza que chego à ponte de Asseca.


Ênio Manuel de Figueiredo, imagino que a maioria ou todos vocês não façam a menor ideia de quem ele seja. Mas fiquem tranquilos vocês não são os únicos, nunca teve fama pelas suas peças de teatro que assim como o autor ninguém conhece.

Então porque mencionei ele aqui??

"Poetas em anos de prosa" eis o motivo. Muitas vezes a genialidade desse título se passa despercebida, enquanto tem livros que não precisam de título, este título não precisa de mais nada. Figueiredo teve a capacidade de contar em um título uma história inteira.
E este título me fez questionar sobre a literatura desse século.

“Pois este é o século para poetas? Ou temos nós poetas para este século?... Temos sim, eu conheço três: Bonaparte, Sílvio Pélico e o Barão de Rotschild. O primeiro fez a sua Ilíada com a espada, o segundo coma paciência, o último com o dinheiro. São os três agentes, as três entidades, as três divindades da época. OU cortar com Bonaparte, ou comprar com Rotschild, ou sofrer e ter paciência com Sílvio Pélico. Tudo o que fizer doutra poesia — e doutra prosa também — é tolo...”


A ponte de Asseca corta um rio imenso e... opa me desculpem pela interrupção mas a curiosidade de saber o motivo do nome Asseca está me matando, creio eu que é por causa de um famoso ditado português "Foi de seca a Meca" Mas não tenho tanta certeza, então caso algum leitor saiba seria de grande ajuda se me informasse nos comentário.

Voltando a descrição: e foi aqui que Junot guerreou contra português por essa região na Guerra Peninsular, um sujeito que lamento nunca ter conhecido.


Meus pensamentos param quando vejo o vale de Santarém e a beleza extraordinária do lugar.

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