sábado, 18 de abril de 2015

Por onde andam minhas terras?


Caro leitor, o que vais ler agora a seguir pode ser lido como apenas uma história sem nada, ou como uma descrição do que vi e vejo de meu amado país. Para que a entendas como entendo eu, gostava que lesses o que tenho a dizer sobre a minha Portugal e o que ela viveu.

País pequeno mas não sem problemas, país escondido mas não sem guerras. Portugal do século XIX enfrentou apenas mais uma guerra, ao mesmo tempo que se enfrentava em seu maior conflito. O mundo do meio do século XIX, Portugal da Guerra Civil, viu irmão matar irmão em nome a alianças a Reis que nenhum dos dois chegaria a conhecer. Este conflito opôs duas noções de governo, com conservadores absolutistas que acreditavam em um Rei absoluto e poder concentrado enfrentado liberais progressistas que acreditavam no poder das pessoas e na submissão do Rei ao parlamento.


Foi por essa segunda forma de ver o mundo que a maioria do povo lutou - e venceu - a Guerra Civil. Milhares acreditavam numa Portugal futurista com glórias do passado e engenhocas do futuro e achavam que valia a pena morrer por isso; mas como foi tal guerra? O que levou um país minúsculo a conseguir implodir e entrar em guerra contra si mesmo?


Tudo começou bem antes do início das hostilidades em 1828, pois, desde a independência do Brasil e consequente perda de direito ao trono por parte de Dom Pedro em 22, o cenário começava a se alinhar para uma guerra. Pedro era herdeiro mas perdeu o direito ao trono pois levantou armas contra Portugal. Miguel, seu irmão mais novo, viraria herdeiro mas estava exilado pois havia feito o mesmo que Pedro só que contra o pai. No final Dom Pedro ignorou todas as regras da sucessão e casou seu irmão a sua filha, Dona Maria, tornando o primeiro regente e a segunda rainha.


Dom Miguel, porém, não achou graça nenhuma ao posto de regente e, com nem um mês de Portugal, coroou-se Rei com o apoio de nobres e do povo. Dom Pedro nada podia fazer no Brasil, então juntou as coisas e -- ao melhor estilo Sebastianista -- juntou um exército e partiu para as ilhas (Açores e Madeira) para conquistar terras sem quase nenhuma preparação. Felizmente para muita gente, esse Sebastião sabia lutar e logo tomou posse das Ilhas preparando um ataque ao continente dominado pelo irmão.


Em 8 de Julho de 1832 Pedro e suas tropas realizam o Desembarque do Mindelo e tomam a Cidade Invicta. Isso porém não aparenta ser o melhor movimento com os Miguelistas a darem início a um cerco só quebrado depois de muita insistência. Pedro assim consegue chegar ao Algarve e passar a tomar o país de sul a norte até chegar à capital. Por fim, quando Miguel parece no fim de suas forças, Espanha e Inglaterra decidem ajudar Pedro com tropas e fazem campanhas relâmpago que levam a derrota dos conservadores e exílio de Miguel, pondo fim à Guerra dos Dois Irmãos.


Com isso terminava a guerra, mas começava o período de pagar as promessas. Pedro prometera a seu exército um país mais livre com a monarquia a trabalhar para o povo e não explorando o mesmo, porém vendeu apenas ilusões. Uma nova rainha foi posta no trono, novos condes e duquesas, barões e marquesas foram nomeados, mas nada mudou. Tudo mudou mas tudo continuou igual, toda a luta foi para nada. Toda a luta foi apenas mais uma guerra entre monarcas sem sentido ou lógica em que o povo foi pego no fogo cruzado.

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