sábado, 18 de abril de 2015

Frei Gil

Mais uma vez perdoem-me por me perder tanto em meus pensamentos nos relatos de ontem, hoje serei mais objetivo. Vou voltar ao vale de Santarém para o final do romance de Carlos e Joaninha, mas antes paro em Marvila de Santarém. Aqui, o que me chama a atenção é um Colégio grandioso e magnífico. Isso me faz pensar o motivo dos monumentos devastados que encontrei em meu caminho, não apresentarem a mínima conservação. Imagine, meu leitor, como está jornada teria sido mais rica e bela se todos os monumentos que encontrei apresentassem um perfeito estado de conservação. Enfim, este colégio foi fundado por jesuítas, os quais considero, em minha humilde opinião, os templários do século moderno, e após muitos anos de seminários religiosos, agora serve para palestras de teor administrativo. Engraçado como as coisas podem se transformar em coisas completamente diferentes em pequenos espaços de tempo. Saio do Colégio e tomo meu rumo para o estabelecimento monástico de São Domingos, local que quero muito visitar, pois quero ver o túmulo de Frei Gil. Porém, eu não estava preparado para o que me aguardava lá. Já logo de início fico triste ao ver como a capela é simples e mal ornamentada, porém quando entro eu vejo que o túmulo de Frei Gil fora violado e seu corpo roubado. Sacrilégio! Quem ousaria fazer isso? Isso não é nada menos do que uma ofensa à história de Portugal!

#MarvilaDeSantarém #Colégio #SãoDomingos #FreiGil #Sacrilégio #Furioso


Agora leitor, contarei algo que soube posteriormente sobre o corpo de Frei Gil. Apesar de acreditar nas palavras que ouvi não posso comprovar a veracidade delas, pois não estava presente nesse local nesse momento. Soube que três homens haviam praticado o roubo do corpo, alegando que isso era uma obrigação sagrada, porém, eu jamais concordaria com isso. Roubar o corpo de um santo é um sacrilégio e uma ofensa, não uma missão religiosa. Enfim, foi isso que ouvi. Continuando, os homens levaram o corpo para o mosteiro das Claras, para que as freiras cuidassem do santo, já que ele estava abandonado em seu antigo posto. Elas ficaram espantadíssimas com o ocorrido, mas por fim ficam encarregadas de proteger o cadáver de S. Frei Gil. Nem me lembro, ao certo, como essa história chegou até mim, porém eu guardei-a com fervor religioso. Talvez agora que o governo tolerante dos liberais está no poder eu possa revelar a verdade, mas isso tem que ficar para outro tempo, pois agora vou continuar minha jornada.

#FreiGil #Sacrilégio #Roubo


Hoje eu deveria continuar os relatos de minha jornada, seu que prometi isso ontem, mas com as novas informações que obtive o leitor terá que me perdoar, pois ao ouvir meu relato sobre o corpo de Frei Gil, meu companheiro retomou sua narração, relacionando-a com o que acabara de ouvir. Um dos homens que roubou o corpo de S. Frei Gil foi Frei Dinis, porém a história não continuou, ela foi deixada para a minha imaginação. Ódio! Com essa raiva em meu coração chego ao convento de São Francisco, onde até as plantas estão morrendo. Por um momento paro de andar e me encontro observando essas plantas. Enxergo nelas a história de Portugal. Algum dia elas já foram belas, sadias, imponentes e tratavam de ar um ar belo ao local, mas agora, estão esquecidas e abandonadas, se deteriorando e perdendo toda a sua beleza sem que ninguém se importe. Triste, muito triste mesmo. Entro no mosteiro. Dentro, vejo túmulos de pedra sem inscrições, que parecem gritar de abandono e solidão. Olhar para eles me faz pensar sobre como seria o final do romance. O que Joaninha fará agora que Carlos se foi? E Carlos que ama Joaninha e Georgina, mas fugiu de ambas? Escuto mais um trecho do romance. Frei Dinis saiu de Santarém, ninguém sabe para onde. Georgina também foi embora, pegou a estrada de Lisboa juntamente com Joaninha e Francisca, que aparentavam estar parcialmente mortas, e parcialmente loucas. Carlos não mandou mais notícias. Percebo que o romance será finalizado, e concluo que minha viagem também deve ser. Talvez até devesse passar mais tempo aqui em São Francisco, porém não tenho mais paciência para ver a história de meu grande país se destruindo. Vou-me embora. Adeus Santarém. Terra dos monumentos destruídos e das histórias perdidas...

#FreiGil #FreiDinis #SãoFrancisco #Romance #AdeusSantarém #TerraDasHistóriasPerdidas

Foto do convento de São Francisco. “S. Francisco é uma bela ruína, que merecia ser examinada devagar, com outra paciência que eu já não tenho”.

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